Algumas das
obras do arquiteto Oscar Niemeyer são mais populares, pois, além do sucesso do
arquiteto, este utilizava de inspirações plásticas comuns ao entendimento da
população como os conhecidos “pratos” do prédio do Congresso Nacional, a “nave”
do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, e o “olho” do Museu Oscar Niemeyer,
em Curitiba. Mas foi esse senso comum das imagens que os tornaram marcos identificadores
para os brasileiros. Todavia, suas produções recebem críticas quanto à visão
social da arquitetura, sem haver uma reflexão sobre seu efeito sobre os
usuários e até mesmo para a vida em seu entorno.
Nossa noção sobre os efeitos da
arquitetura, muitas vezes, se restringe a uma natureza estética e psicológica,
amarradas necessariamente ao aspecto visual da arquitetura.
Vilanova Artigas (1999) entende a arquitetura como arte (forma) e
finalidade (função). "Essa finalidade é exatamente a necessidade social da
arquitetura representar alguma coisa no campo da sociedade" (ARTIGAS,
1999, p.187). A arquitetura afeta o sujeito, afeta sua leitura do ambiente, gera
ambientes com impactos menor ou maior.
No site Vitruvius há um artigo interessante de Vinicius de Moraes Netto sobre
os efeitos que a arquitetura pode causar. Como forma de exemplificação, o autor cita o caso de Brasília sobre a cidade: “Quarteirões rarefeitos, sem continuidade de fachadas, cujos edifícios apresentam
grandes espaçamentos entre si ou recuos laterais (previstos em nossos planos
diretores), terminam por reduzir consideravelmente a densidade dos quarteirões
(cujos edifícios precisam então verticalizar-se para atingir densidade
razoável) reduzem o número de portas voltadas para o espaço público, e
enfraquecem a relação fachada-rua que parece bem-vinda na animação do
espaço público”. Ou seja, há muitos impactos que o
edifício construído gera, independentemente dos efeitos desejados pelo
arquiteto. Mas se não houver essa reflexão, nós arquitetos seríamos
desnecessários, pois o papel social do arquiteto surge em função da consciência
de certa causalidade entre projeto, edifício e seus efeitos, devidamente
entendida e controlada pelo arquiteto.
Por essa razão, os profissionais, ao compreenderem a importância da visão
social na arquitetura devem envolver a sociedade e o poder público na
preservação dos valores da cidadania, superando as barreiras existentes. Assim,
uma arquitetura verdadeiramente social necessita do envolvimento comunitário em
cada etapa para que os resultados apresentados sejam positivos, conforme o grau
de satisfação dos futuros moradores.
GRINOVER, Marina. RUBINO, Silvana. Lina por escrito.
1ª edição. São Paulo: Cosac Naify, 2009. 208f.