quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Filme: Koolhaas Houselife

O filme Koolhaas Houselife mostra a rotina do dia a dia da Maison a Bordeaux, famosa casa projetada pelo OMA de Rem Koolhaas em 1998, sob a ótica da empregada da casa, Sra. Guadalupe. O projeto, em Bordeaux, na França, foi desenvolvido para uma família cujo pai tem deficiência física. Por esta razão, Koolhaas projeta pensando em facilitar atividades e dar liberdade ao morador, desde uma plataforma elevatória para alcançar a estante de livros, até a abertura das portas através de um ‘joystick’, ou seja, não possuem trancas, nem chaves.

Mas, por outro lado existe a manutenção, ou seja, o que deixa a edificação em estado habitável, higiênica e até mesmo funcional. Se essa plataforma elevatória para de funcionar, por exemplo, o morador com deficiência física não consegue alcançar os demais cômodos da residência. Então devemos pensar, essa casa é funcional pra quem? O filme retrata a visão da Sra.Guadalupe, que é diferente da visão do turista e de quem mora nela, pois para cada um a função da edificação é diferente. Para manter a casa em ordem, Guadalupe se adequa a casa, e a limpa apesar das limitações que aquele lugar impõe. Um dos exemplos é quando mostra a limpeza da escada em caracol e os diversos deslocamentos que ela precisa fazer para subir com suas ferramentas de trabalho. Nos dias chuvosos há infiltração por toda parte, dai surgem baldes, copos e panos dentro da casa.

Então, antes de observarmos em uma edificação suas formas, cores, espaços e significados, devemos também pensar no modo de como ela se insere no cotidiano de quem nela habita ou trabalha.

Louise LemoineIla Bêka. 
Koolhaas Houselife. Itália. 2013

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Importância da visão social na arquitetura


           Algumas das obras do arquiteto Oscar Niemeyer são mais populares, pois, além do sucesso do arquiteto, este utilizava de inspirações plásticas comuns ao entendimento da população como os conhecidos “pratos” do prédio do Congresso Nacional, a “nave” do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, e o “olho” do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Mas foi esse senso comum das imagens que os tornaram marcos identificadores para os brasileiros. Todavia, suas produções recebem críticas quanto à visão social da arquitetura, sem haver uma reflexão sobre seu efeito sobre os usuários e até mesmo para a vida em seu entorno.

          Nossa noção sobre os efeitos da arquitetura, muitas vezes, se restringe a uma natureza estética e psicológica, amarradas necessariamente ao aspecto visual da arquitetura. Vilanova Artigas (1999) entende a arquitetura como arte (forma) e finalidade (função). "Essa finalidade é exatamente a necessidade social da arquitetura representar alguma coisa no campo da sociedade" (ARTIGAS, 1999, p.187). A arquitetura afeta o sujeito, afeta sua leitura do ambiente, gera ambientes com impactos menor ou maior.

No site Vitruvius há um artigo interessante de Vinicius de Moraes Netto sobre os efeitos que a arquitetura pode causar. Como forma de exemplificação, o autor cita o caso de Brasília sobre a cidade: “Quarteirões rarefeitos, sem continuidade de fachadas, cujos edifícios apresentam grandes espaçamentos entre si ou recuos laterais (previstos em nossos planos diretores), terminam por reduzir consideravelmente a densidade dos quarteirões (cujos edifícios precisam então verticalizar-se para atingir densidade razoável) reduzem o número de portas voltadas para o espaço público, e enfraquecem a relação fachada-rua que parece bem-vinda na animação do espaço público”.  Ou seja, há muitos impactos que o edifício construído gera, independentemente dos efeitos desejados pelo arquiteto. Mas se não houver essa reflexão, nós arquitetos seríamos desnecessários, pois o papel social do arquiteto surge em função da consciência de certa causalidade entre projeto, edifício e seus efeitos, devidamente entendida e controlada pelo arquiteto.

Por essa razão, os profissionais, ao compreenderem a importância da visão social na arquitetura devem envolver a sociedade e o poder público na preservação dos valores da cidadania, superando as barreiras existentes. Assim, uma arquitetura verdadeiramente social necessita do envolvimento comunitário em cada etapa para que os resultados apresentados sejam positivos, conforme o grau de satisfação dos futuros moradores.

GRINOVER, Marina. RUBINO, Silvana. Lina por escrito. 
1ª edição. São Paulo: Cosac Naify, 2009. 208f.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Afinal, quem é o arquiteto?


KAPP, Silke; BALTAZAR, Ana Paula; MORADO, Denise. Arquitetura como exercício crítico: apontamentos para práticas alternativas. Disponível em: www.field-journal.org/index.php?page=journal-2

Quando tentamos definir o termo arquitetura, logo nos remetemos ao questionamento do papel do arquiteto. Assim como abordado no artigo referenciado e através de análises sobre o assunto, deparamos com alguns problemas em que os profissionais precisam encarar na profissão e com seus clientes. Para tal, é preciso retornar aos fatos históricos e entender que, muitas vezes, o produto gerado pelos arquitetos foi resumido, e, confirmado pelos mesmos, apenas como seus desenhos de autoria e exclusividade. Sendo totalmente desvinculado do seu papel social e de gerador de espaços através da participação dos usuários.

Ao expor o terceiro significado do termo arquitetura, segundo os autores do artigo, surge uma pergunta: “Se qualquer transformação do espaço pelo trabalho humano é considerada arquitetura, o que restaria aos arquitetos fazer?”, através desse pensamento, como forma de defesa, é desvalorizada qualquer criação do espaço que não seja realizada por arquitetos ou com um projeto prévio. Mas é preciso levar em consideração que um dos papéis do arquiteto é, justamente, levar em consideração os anseios e as transformações da sociedade e compatibilizar esses elementos com o conhecimento técnico do profissional. Assim, o que foi pensado e imaginado será formalizado para que se possa concretizar da maneira mais clara e segura.

Como estudante de Arquitetura e Urbanismo sinto-me desafiada a resgatar e repensar o importante papel de planejadora e criadora do espaço urbano diante de questões relacionadas à sociologia, mercado imobiliário, políticas urbanas aliadas à realidade política, econômica, social e ambiental do espaço produzido.