O
artigo "Perspectivas
e desafios para o jovem arquiteto no Brasil. Qual o papel da profissão?" do autor João Sette Whitaker resume o
que foi discutido durante as aulas de Legislação e Exercício Profissional do
curso de Arquitetura e Urbanismo trazendo reflexões acerca da atuação do
arquiteto frente às novas demandas da sociedade.
Desde muitos anos, há paradigmas difundidos na
sociedade brasileira sobre o papel do arquiteto como sendo um serviço destinado
apenas às classes de alta renda. Mas esse pensamento limita as possibilidades
de atuação dos profissionais, tornando o mercado restrito e inatingível.
A falta de conhecimento do poder transformador social
desses profissionais, gerou uma arquitetura de extrema verticalização ditada
pelo mercado imobiliário, produzindo prédios cercados e murados que renegam a
rua e a cidade. O crescimento econômico no Brasil nos últimos anos não
significou, necessariamente, uma melhoria do urbanismo, mas sim, por falta de
planejamento, significou o aumento de destruição ambiental e dos problemas
urbanos.
E, assim, levanta-se a questão: "de quem é a
culpa?" A culpa é de todos nós, do governo, da sociedade que considera a
cidade como um mercado, das universidades que orientam os estudantes sob uma
única perspectiva profissional, das entidades representativas da classe que
pouco discutem a democratização da profissão e etc.
O primeiro passo para uma possível mudança é a
conscientização do poder transformador que a arquitetura propõe, como afirma o
Whitaker "A arquitetura e o urbanismo, quando vistos como uma profissão
central na sociedade, que reflete e propõe a organização do território e do
espaço construído, tem uma vocação indiscutivelmente
transformadora."
O segundo passo, então, seria entender a situação
econômica e social atual do país aproveitando as oportunidades de novas
atuações que não seja apenas de segregação e elitização. Exemplos disso é a
nova lei de "Assistência Técnica, que garante às famílias com renda de até
3 salários mínimos o direito à assistência técnica pública e gratuita para
projeto, construção ou reforma de suas moradias." Os arquitetos deveriam
aproveitar esse desafio que representa uma grande oportunidade de ampliação do
mercado de trabalho. Outra oportunidade de mudança foi a criação do CAU,
órgão voltado exclusivamente para a regulação da prática profissional e
para discussão sobre o papel da nossa profissão na construção do país, podendo
criar uma nova identidade para a arquitetura brasileira.
Como podemos perceber, as demandas sociais alteram com
o passar do tempo, mudando as concepções de formas e conteúdos espaciais dando
um novo sentido à profissão. A arquitetura e o urbanismo são formações complementares
extremamente amplas. “Um arquiteto que queira fazer frente aos desafios que o
Brasil hoje lhe apresenta deve ser um bom projetista, sem dúvida, mas deve
entender da história econômica e social da nossa formação nacional, deve
transitar pelo campo da legislação urbanística, deve conhecer aspectos básicos de
engenharia ambiental, deve saber de economia urbana, e assim por diante. Deve
tornar-se um cidadão, um ser político capaz de colocar-se ativamente nas
discussões sobre nosso futuro, em especial no que diz respeito ao ambiente construído.
”