domingo, 29 de janeiro de 2017

Alternativa ao processo arquitetônico


A arquiteta Carina Guedes desenvolve um projeto de assistência técnica às mulheres de baixa renda. Ao propor às moradoras que façam o levantamento de suas próprias residências e, posteriormente, indicar layouts para cada cômodo através de bloquinhos com tamanho pré-estabelecidos, faz com que elas entendam melhor a questão de proporção do espaço e também a importância desse planejamento para uma melhor qualidade de vida dentro de suas moradias.
Eu acompanho um grupo de arquitetura no Facebook em que esse projeto estava em pauta. Algumas pessoas não concordavam com esse processo, alegando que se trata de um exercício ilegal da profissão, incentivando a autoconstrução. Outras apoiavam a causa, por se tratar de pessoas de baixa renda. Mas o que a arquiteta faz é dar assistência técnica para que a autoconstrução ocorra de forma a evitar desastres, auxiliando com o olhar profissional e dando a autonomia para aquelas mulheres para construir suas próprias residências, de forma segura e fazendo-as se sentir capazes e empoderando-as para um tipo de trabalho considerado ser feito somente por homens. Há também um inventivo para a construção por mulheres realizado pela Paloma Cipriano, a qual ensina pelo Youtube com vídeos instrutivos sobre como construir e reformar.
A autoconstrução, infelizmente, é uma realidade no nosso país, principalmente pelas as classes mais baixas que não possuem poder aquisitivo para tal. Isso ocorre, muitas vezes, por não ter a informação da importância dos profissionais para o sucesso da construção. A autoconstrução assistida é uma possibilidade de dar acesso à arquitetura para essas pessoas como forma de cidadania e mostrar o papel do arquiteto, divulgando a profissão para as classes C e D.
Essa pauta nos leva a pensar nos processos de projetar e no papel do arquiteto: não como planejador ou projetista do espaço alheio, mas possivelmente como gerador de instrumentos que facilitam as decisões e ações sobre o espaço por aqueles que o constroem e usufruem daquilo. As pessoas têm que ter o direito à dignidade, a morar com decência. Se a gente pode ajudar como profissional, por que não?